domingo, 14 de agosto de 2011

Um sábado, uma sentença



Junho de 2007 – Era sábado e eu acordei cedo pra fazer uma ultrassonografia para fins de check up. Estava com um novo ginecologista, super bem indicado, que me pediu exames corriqueiros, só pra conhecer o meu organismo. Tudo bem, essa ultra eu já sabia tirar de letra. Vamos lá, então: aventalzinho, deita ali e pronto, começou. O médico girava e girava o aparelhinho com preservativo, fazia uma cara esquisita e anotava. Eu estava tranquila, todos fazem essas caras e bocas, mesmo, olhando pra aquelas imagens borradas no vídeo.  E de repente, a minha sentença:

- Hum... você tem endometriose, né?

- Acho que não... – respondi, do auge daquela posição terrível, meio pega de surpresa, tentando buscar na memória se isso era algum tipo de útero retrovertido, ovário policístico ou alterações hormonais da TPM. A verdade é que eu nunca tinha ouvido aquela palavra. Mas o médico estava convicto. E prosseguiu:

- Tem sim. E de nível alto. Talvez nível 3, veja só, nos ovários e no útero – disse, virando a tela do monitor pra mim, como se eu fosse entender tudo o que aparecia ali.

- Eu não sei, doutor. Como assim? O que é isso? – comecei a me remexer, um pouco nervosa.

- Endometriose, doença que impede de ter filhos. Você já tem filhos, né?

- Não. Mas o que é que o senhor está dizendo? Eu sou estéril, é isso?

A minha cara deve ter sido um misto de surpresa com vontade de gritar e com notícia de morte de mãe (sim, eu morria como mãe ali, naquele momento ginecológico). Foi uma cara tão teatral (deve ter sido), que o médico se tocou do que estava acontecendo e retrocedeu, cauteloso.

- Olha, fique calma, pode ser que eu esteja enganado. A ultrassonografia não é um exame conclusivo. Você precisa falar com o seu médico – e fez um carinho no meu joelho, típico de médico quando te dá um diagnóstico irreversível e acha que um carinho pode diminuir toda a sua tristeza (“Minha querida, você tem 4 meses de vida, agora tome esse cafuné na cabeça e vá bem calminha e sorridente pra casa”).

E assim eu saí do laboratório, com os olhos arregalados de susto, um bolo na garganta e louca pra chegar em casa e fazer a única coisa que ninguém deve fazer nessa vida quando recebe uma notícia como essa: entrei no Google e digitei ENDOMETRIOSE...

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