domingo, 21 de agosto de 2011

Progressiva e agressiva

Endometriose é uma doença ainda sem muitas explicações. Em minha primeira pesquisa no Google, depois te ter sido pega com as calças na mão, literalmente, numa ultrassonografia de rotina, me deparei com um site de alguma instituição médica, cujo título era "Endometriose: a doença da mulher infértil".

Acontece que não é bem por aí. Há mulheres que tiveram filhos antes e depois de descobrirem ter endometriose. Há mulheres que tem focos leves, que não chegam a impedir a gravidez. E há muitas mulheres que são inférteis sem ter a doença.

O fato é que, a cada ano, aumenta o número de mulheres endo (denominação estranhamente dada a quem tem endometriose). O estilo de vida? O nível de estresse? Herança genética? Ausência de gravidez e, por consequência, muitos anos menstruando sem parar? Tudo pode ser. A medicina ainda não sabe. Abaixo, uma definição bem honesta, de um site felizmente localizado, hoje, no topo do resultado de pesquisa do Google.

Misteriosa, inexplicável, imprevisível. Exige tratamento cuidadoso e atenção contínua. Enfim, diria Freud, uma doença que traduz a difícil natureza feminina.

Acredita-se que atualmente cerca de sete milhões de mulheres no Brasil sofram de Endometriose, considerada uma das doenças mais comuns que atingem a mulher em idade reprodutiva.

É denominada atualmente "a doença da mulher moderna", confirmando o padrão da mulher atual que tem menos filhos, engravida mais tarde e, principalmente, que é submetida constantemente à um maior nível de estresse.

No entanto, o desconhecimento é o maior inimigo das mulheres portadoras de Endometriose. Muitas delas não percebem que sintomas, como a dor menstrual ou a dificuldade para engravidar, possam estar relacionados à doença e passam a conviver harmoniozamente com ela, que por ser progressiva e agressiva, acaba se agravando.

Conheça a endometriose! A suspeita de sua presença é a principal forma de se previnir os efeitos a longo prazo e indesejáveis desta doença.

Fonte: Site do Centro de Endometriose de São Paulo (www.endometriosesp.com.br)

domingo, 14 de agosto de 2011

Um sábado, uma sentença



Junho de 2007 – Era sábado e eu acordei cedo pra fazer uma ultrassonografia para fins de check up. Estava com um novo ginecologista, super bem indicado, que me pediu exames corriqueiros, só pra conhecer o meu organismo. Tudo bem, essa ultra eu já sabia tirar de letra. Vamos lá, então: aventalzinho, deita ali e pronto, começou. O médico girava e girava o aparelhinho com preservativo, fazia uma cara esquisita e anotava. Eu estava tranquila, todos fazem essas caras e bocas, mesmo, olhando pra aquelas imagens borradas no vídeo.  E de repente, a minha sentença:

- Hum... você tem endometriose, né?

- Acho que não... – respondi, do auge daquela posição terrível, meio pega de surpresa, tentando buscar na memória se isso era algum tipo de útero retrovertido, ovário policístico ou alterações hormonais da TPM. A verdade é que eu nunca tinha ouvido aquela palavra. Mas o médico estava convicto. E prosseguiu:

- Tem sim. E de nível alto. Talvez nível 3, veja só, nos ovários e no útero – disse, virando a tela do monitor pra mim, como se eu fosse entender tudo o que aparecia ali.

- Eu não sei, doutor. Como assim? O que é isso? – comecei a me remexer, um pouco nervosa.

- Endometriose, doença que impede de ter filhos. Você já tem filhos, né?

- Não. Mas o que é que o senhor está dizendo? Eu sou estéril, é isso?

A minha cara deve ter sido um misto de surpresa com vontade de gritar e com notícia de morte de mãe (sim, eu morria como mãe ali, naquele momento ginecológico). Foi uma cara tão teatral (deve ter sido), que o médico se tocou do que estava acontecendo e retrocedeu, cauteloso.

- Olha, fique calma, pode ser que eu esteja enganado. A ultrassonografia não é um exame conclusivo. Você precisa falar com o seu médico – e fez um carinho no meu joelho, típico de médico quando te dá um diagnóstico irreversível e acha que um carinho pode diminuir toda a sua tristeza (“Minha querida, você tem 4 meses de vida, agora tome esse cafuné na cabeça e vá bem calminha e sorridente pra casa”).

E assim eu saí do laboratório, com os olhos arregalados de susto, um bolo na garganta e louca pra chegar em casa e fazer a única coisa que ninguém deve fazer nessa vida quando recebe uma notícia como essa: entrei no Google e digitei ENDOMETRIOSE...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estou bem agora

Estou bem. É o que mais tenho dito pra mim mesma e pras pessoas que me telefonam e me escrevem. São três semanas de molho, em casa. Ainda me assusto com certos pensamentos: na cirurgia tiraram o apêndice e a trompa esquerda. Fui entubada (talvez tenha sido nas outras cirurgias também. Mas só soube que essa é a praxe agora). Tenho uma vaga lembrança, como se tivesse sido sonho, da hora em que me sentaram e me aplicaram a anestesia peridural, bem depois de eu já estar apagada pela anestesia geral. Não quero fazer drama aqui, e nem foi pra isso que criei esse espaço, mas são coisas que me vêm à memória de vez em quando. Mas estou bem. Meus médicos garantem que a doença não volta mais. Eles não são da linha que acredita que a endometriose é causada pela menstruação. Pra eles, trata-se de herança genética. Pode ser... tem de ser! Viver daqui pra frente sem dor é mais do que ganhar na loteria pra mim.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Filho da solidariedade

A ideia deste blog surgiu durante a campanha “Cirurgia da Paty”, criada no www.vakinha.com.br. Eu precisava pagar minha terceira videolaparoscopia. A endometriose, diagnosticada desde 2007, tinha voltado da pior forma possível – tomando partes do intestino.
Durante 10 dias de campanha, me meti num turbilhão de emoções, vendo chegar doações bem mais altas do que o esperado de todo tipo de pessoas, como amigos próximos, distantes, ex-colegas de trabalho e desconhecidos. Essa emoção não quer e nem pode calar. Essa emoção ganha vida aqui neste blog.