Um bom começo de semana para esse blog. O debate sobre endometriose já chegou ao rádio, mídia mais popular que a televisão. E, melhor ainda, chegou à Rádio Globo, uma rádio popular e de grande alcance.
O curioso: em um determinado momento da entrevista, o médico da Unifesp diz que antigamente costumava-se dizer que a mulher só tinha cólicas até o casamento. Algumas avós costumavam dizer "Cólicas? Ah, depois que casar passa!" Não foi o caso da minha avó, ainda bem, até mesmo porque era uma mulher à frente de seu tempo, contra o casamento como principal objetivo de vida da mulher.
A lógica desse reciocínio era de que, após iniciada a vida sexual da mulher, as cólicas sumiriam. Se ainda assim não sumissem, após a primeira gravidez seria batata!
Pois bem, eu ouvi isso de uma ginecologista que tive em Vila Isabel, Rio de Janeiro, em 2005 e 2006: "Cólicas fortes? Ah, que nada. É porque você ainda não teve filhos. Depois que tiver vai passar."
E aqui estou eu, com quase 36 anos, sem filho, sem trompa, sem uma parte do intestino e quase sem reserva ovariana. Com a triste lembrança de ter ouvido esse absurdo de uma médica e com a infeliz consciência de que, já com endometriose naquela época, muita coisa poderia ter sido evitada se a doença tivesse sido diagnosticada.
existe preconceito contra várias doenças, mas a mulher ainda tem que conviver com o machismo: isso não é verdade só no caso da endometriose, claro. No caso de doenças mentais, acho que é até pior: quanta gente boa aí não acha que é "frescura", por exemplo? bem bacana o blog!
ResponderExcluirtem preconceito pra tudo quanto é gosto:a mulher ainda tem que aturar o machismo, que é dose! isso não está ligado somente à endometriose, não. No caso de doenças mentais, por exemplo, acho que é até pior. As mulheres se queixam mais, procuram mais ajuda, mas também, por isso mesmo, são taxadas de "frescas", "loucas", "fracas" e por aí vai. Legal o blog!
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